Boi Caprichoso Publica Nota de Repúdio Contra os Ataques Direcionados à Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque
O Boi-Bumbá Caprichoso manifestou publicamente sua indignação contra os ataques direcionados à Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque. A associação destaca que as ofensas não são apenas críticas de rivalidade, mas sim crimes de racismo, machismo e violência contra povos indígenas Confira a Nota.
NOTA DE REPÚDIO
A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso vem a público manifestar seu mais firme e indignado repúdio às agressões, ataques virtuais, comentários maldosos, difamações e manifestações de preconceito dirigidas à cunhã-poranga do Boi Caprichoso, Marciele Albuquerque, mulher indígena do povo Munduruku. Tais ataques, mascarados de “rivalidade”, ultrapassam qualquer limite aceitável e revelam práticas de racismo, injúria racial, machismo e violência contra os povos originários.
O Festival de Parintins é um dos maiores símbolos culturais do Brasil e do mundo. Ele se sustenta no respeito, na arte e na diversidade. Historicamente, as torcidas aprenderam que a rivalidade se expressa na arena, na estética, na criação artística, nunca no ódio. A internet não é terra sem lei, e o discurso de ódio não pode ser normalizado sob nenhuma justificativa.
É fundamental reafirmar: Marciele Albuquerque representa um momento histórico no Festival de Parintins. Ao ser anunciada como item do Boi Caprichoso, a cunhã-poranga deixa de ser apenas representação e passa a ser representatividade. Sua presença carrega a força das mulheres indígenas, dos povos da floresta, das comunidades que por séculos tiveram suas vozes silenciadas e constantemente tentadas ser invisibilizadas.
A luta dos povos da Amazônia já é dura. Ser mulher, ser indígena, ser quilombola, ainda hoje é enfrentar tentativas constantes de apagamento. Quando uma mulher indígena alcança destaque, infelizmente, surgem ataques que tentam diminuir sua potência. Mas a história mostra: é exatamente nesse momento que a resistência se fortalece.
Marciele é uma guerreira amazônida que leva as causas dos povos indígenas para além do Bumbódromo, esteve na Marcha das Mulheres Indígenas, na ONU, na COP-30 e em diversos espaços internacionais, levando a voz da floresta ao mundo. Ela é vitrine da nossa identidade, da nossa luta e da nossa dignidade.
Reafirmamos também que o Boi Caprichoso acredita no respeito para além da rivalidade. Exemplo disso foi a postura adotada em 2024, quando, compreendendo a dimensão nacional e internacional da visibilidade conquistada no BBB, decidimos abraçar Isabele Nogueira, cunhã-poranga do Boi Garantido. Mesmo diante de divergências iniciais, prevaleceu a maturidade, o entendimento de que aquela exposição ultrapassava o Festival e se tornava uma oportunidade de divulgar Parintins, a Amazônia e sua cultura para o Brasil e o mundo. Essa é a postura que nos guia.
A pequenez de quem acredita que a violência diminui a grandeza de Marciele revela apenas ignorância. Ela é uma de nós. E quando uma mulher indígena é atacada, todo o povo amazônico é convocado a se levantar.
O Boi Caprichoso reafirma seu compromisso inegociável com o respeito, com a diversidade, com os povos originários e com a luta contra toda forma de preconceito. Não aceitaremos que o ódio tente manchar a história de Marciele no festival que se tornou símbolo de cultura e identidade do nosso povo.
Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso

Nenhum comentário :
Postar um comentário